sábado, 16 de dezembro de 2017
Primeiro acidente aéreo em Mato Grosso
É registrado em 15 de dezembro de 1933 o primeiro acidente aéreo no Estado. A notícia é dada, sem destaque na última página do Jornal do Comércio, de Campo Grande, três dias depois:
"Ao contrário do que se esperava, não tivemos, anteontem, domingo, correspondência de Cuiabá.
Saíra daqui, sexta-feira última, o avião Pirajá para Corumbá,chegando de véspera de S. Paulo.
Nesse mesmo dia, fazendo ligação entre Corumbá e Cuiabá, viajara da primeira dessas duas cidades o hidroavião Blumenau que naquela precisa data deveria chegar à capital do Estado.
Devido, certamente, ao demasiado da carga, o Blumenau teve que afluviar inesperadamente, antes de Porto Jofre, que é uma das etapas estabelecidas na margem direita do rio Paraguai. O aparelho sofreu danos, ao que estamos informados, não podendo prosseguir viagem.
Felizmente nenhum de seus passageiros ficou ferido.
Em substituição ao Blumenau, é esperado hoje, aqui, o avião Bandeirante, procedente de S. Paulo, que seguirá logo para a Princesa de Paraguai. Naquela cidade, essa nave aérea mudará as rodas por flutuadores e viajará para Cuiabá, ficando na carreira em lugar do aparelho avariado.
Quinta-feira entrante deverá estar nesta cidade, como de costume, mantendo a carreira, o avião Pirajá, procedente da capital paulista".
O jornal campograndense encerra a notícia, tentando justificar o acidente:
"É de justiça, salientar-se, em louvor da Condor, que este é o primeiro acidente de monta que sofre um aparelho seu, em Mato Grosso, durante centenas de viagens realizadas.
Acidente também que confessamos, com gosto, não haver determinado nenhuma vítima".
Alguns detalhes desse desastre seriam dados em março de 1934, quando o mesmo jornal noticiava o segundo acidente no mesmo trecho:
"No primeiro, ocorrido perto de Porto Jofre, ficaram feridos vários passageiros, e o aparelho ficou completamente inutilizado".
O serviço de transporte via aérea em Mato Grosso começou em 16 de setembro de 1930, com o voo entre Corumbá e Cuiabá.
FONTE: Jornal do Comercio (Campo Grande) 19 de dezembro de 1933 e 4 de março de 1934.
FOTO: O Pirajá, da frota da Condor, do acervo do Correio de Corumbá.
sábado, 9 de dezembro de 2017
Estado tem dois governadores
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| Prédio da Câmara de Corumbá onde funcionou a Assembleia de Mato Grosso |
Aos nove dias do mês de dezembro de mil novecentos e dezesseis, nesta cidade de Corumbá e no Paço da Câmara Municipal, presente a uma hora da tarde, o excelentíssimo sr. coronel Manoel Escolástico Virgínio, segundo vice-presidente do Estado, os presidentes da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal, o intendente geral do município, vários deputados e vereadores e muitas outras pessoas gradas, no salão nobre destinado às sessões da Câmara e onde atualmente funciona a Assembleia Legislativa, aí pelo coronel Escolástico Virgínio foi dito que, havendo o Supremo Tribunal Federal confirmado os ‘habeas-corpus’ que o juiz desta seção lhe concedera, garantindo-o no cargo de segundo vice-presidente por achar-se pronunciado pela Assembléia o general Caetano de Faria e Albuquerque, e cabendo-lhe legalmente a substituição deste por ter falecido o primeiro vice-presidente coronel Coraciolo de Azevedo; vinha assumir, como efetivamente assumia neste ato, o exercício das funções de presidente do Estado, cujo compromisso já prestara perante Assembleia Legislativa a 15 de maio do corrente ano.
E para todo o tempo constar determinou a mim, Alceste de Castro, amanuense da intendência municipal, que do ocorrido lavrasse a presente ata, que vai assinada por todos os presentes e ficará arquivada na Câmara Municipal desta cidade de Corumbá.
Em Cuiabá, o presidente Caetano Albuquerque, com base em habeas-corpus, também concedido pelo Supremo, desconheceu a decisão da Assembleia, passando o Estado a ter, formalmente, dois governadores. A solução viria apenas com a renúncia de Caetano de Albuquerque e dos deputados e a intervenção federal, decretada pelo presidente Wenceslau Braz a 10 de janeiro de 1917.
FONTE: Rubens de Mendonça, Dicionário Biográfico Mato-Grossense, edição do autor, Cuiabá, 1971, página 109
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Nasce Joaquim Murtinho
Curiosidade: Joaquim Murtinho deixou Cuiabá aos 13 anos e nunca voltou ao Estado.
Faleceu em 18 de novembro de 1911, no Rio de Janeiro.
FONTE: Rubens de Mendonça, Dicionário Biográfico Mato-Grossense, edição do autor, Cuiabá, 1971, página 118
terça-feira, 5 de dezembro de 2017
Criado o primeiro banco de Mato Grosso
Os sócios principais da nova casa de crédito foram os irmãos Joaquim Murtinho (foto), Manoel Murtinho e Francisco Murtinho. “O primeiro, homeopata, cuiabano de nascimento, foi médico particular de Deodoro e Floriano e exerceu grande influência nos destinos do país, tendo sido ministro da Viação e Obras do governo de Prudente de Moraes e da Fazenda do governo Campos Sales.
O segundo, além de primeiro presidente constitucional de Mato Grosso no período republicano, seria também ministro do Supremo Tribunal Federal.”
A finalidade da instituição bancária foi a aquisição da concessão para explorar os ervais do Sul do Estado, cedida por Tomaz Larangeira. O banco teve curta duração. Foi liquidado em 1902.
FONTE: Pedro Valle, A divisão de Mato Grosso, Royal Curt, Brasilia, 1996, página 18.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
Taunay dá novas notícias de Miranda
Ainda sem saber que destino vai tomar a força expedicionária,
acampada em Miranda, o tenente Taunay volta a escrever em 4 de dezembro de
1866, ao seu pai no Rio de Janeiro:
Aqui estamos desde 17 de setembro esperando notícias de Cuiabá para saber se devemos marchar sobre Corumbá ou sobre Nioaque. Este último lugar que os paraguaios ocuparam durante mais de um ano é o lugar mais salubre de toda a província e caminho que lá vai ter o melhor possível; diz-se também que em Corumbá não há mais que 200 homens em más condições; os outros tendo sido chamados por Lopez, mas também a travessia é muito difícil e as águas vão subir tanto que os terrenos pantanosos ribeirinhos do Paraguai já devem estar todos inundados. Falta-nos aliás, e completamente, o meio mais cômodo descermos o Miranda e subirmos o Paraguai. Outra dificuldade se apresenta: nada menos nada mais do que a presença de dois vapores paraguaios a cruzarem continuamente entre Corumbá e Coimbra.
Acabei o relatório geral da comissão e como já estou cansado de trabalhar para outrem, embora se trate de coisa pouco meritória, escrevo agora um novo trabalho que toma certo desenvolvimento e poderá ter algum interesse. É a viagem que fiz com Lago, até Morros com um resumo geral do aspecto fitológico e mineralógico dos terrenos atravessados. Tomo sempre a peito ser consciencioso em tudo quanto digo; só citando o que vi e preferindo ou pouco de monotonia e mesmo aridez nas descrições a embelezar o meu relato de episódios só pelo prazer de agradar a desocupados.
FONTE: Taunay,
Mensário do Jornal do Comércio, Rio de Janeiro, 1943, página 345.
domingo, 3 de dezembro de 2017
Expedição chega ao rio Taquari
Expedição
científica, comandada pelo visconde de Langsdorff, patrocinada pelo governo
russo, com destino a Cuiabá e a Amazônia, completa em 3 de dezembro de 1826,
seu trajeto pelo agitado rio Coxim:
Logo depois de levantar o pouso, passamos à esquerda pela embocadura do rio Taquari-mirim e pouco adiante entramos no Taquari que aí tem 200 braças de largura. A maior parte do dia foi consumido em vencer a cachoeira Beliago, cuja extensão de meio quarto de légua é semeada de ilhas e rochas à flor ou acima d’água, que, se não produzem quedas, originam fortes correntezas e ondas agitadas, cuja violência as canoas vazias têm que suportar.
Agarramos uma arraia.
Pelas 2 horas da tarde, seguimos viagem, passando ainda por entre diversas ilhas. Ao pôr do sol, os camaradas, para festejarem a transposição da cachoeira Beliago, última até Cuiabá, deram descargas de fuzilaria, gritaram a valer e cantaram até alta noite. Daí por diante, com efeito, a navegação faz-se em rios de curso tranqüilo, sem perigos de corredeiras nem obstáculos que obriguem a descarregar as canoas e por conseguinte a transportar cargas às costas por distâncias não pequenas. Aí, pois, findam os labores mais penosos.
FONTE: Hercules Florence, Viagem Fluvial
do Tietê ao Amazônia, de 1825 a 1829, Edições Melhoramentos, São
Paulo, 1941, página 57.
FOTO: cachoeira do Beliago, de Hércules Florence.
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