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No dia seguinte à sua morte, a Folha de S.Paulo resume sua meteórica e contravertida trajetória política.
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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
A morte de Jânio Quadros
Nascido em Campo Grande em 25
de janeiro de 1917, morre em São Paulo, em 16 de fevereiro de 1992, o ex-presidente Jânio Quadros, o
segundo cidadão matogrossense a ocupar a presidência da República por eleições
diretas. O primeiro foi o cuiabano marechal Eurico Gaspar Dutra (1945-1950).
Ambos foram adversários da divisão do Estado.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Deputado é morto por irmão em hotel de Campo Grande
A ocorrência teve grande repercussão, principalmente em Cuiabá e Santo Antonio do Rio Abaixo (atual Santo Antonio do Leverger), redutos eleitorais da vítima. O Matto-Grosso, jornal oficial do partido celestinista, ao qual o deputado era filiado, traçou o seu perfil:
Moço, elegante, belo como um Apolo e com relevo que lhe dava a reputação duma bravura de herói levada à temeridade, a sua pessoa tinha todas essas qualidades brilhantes que despertam irresistivelmente a atração e fascinante simpatia. Seu fim trágico e inesperado tinha de produzir o mais profundo sentimento como uma revoltante iniquidade.
O nosso malogrado amigo desaparece aos 30 anos de idade. Em pequeno em companhia de outros irmãos, seu finado pai o coronel João Pais de Barros o levara para o Rio onde o matriculou em um colégio interno. Depois de concluído o curso secundário matriculou-se em uma das faculdades superiores da capital da República, na escola Politécnica, interrompendo seus estudos por ter tido necessidade de vir se por à testa da usina de propriedade de sua família. Viajara antes à Europa, tendo permanecido logo tempo na Itália em companhia dos seus.
Na direção do importante estabelecimento legado pelo seu velho pai, revelou notáveis qualidades de administrador e industrial ativo, inteligente, honesto e pontual nos seus compromissos. É do conhecimento de todos os felizes resultados que coroaram a sua ação conseguindo com a disciplina imposta pelo seu pulso férreo libertar em poucos anos a usina de pesados encargos e das dificuldades que antes assoberbavam. E uma das circunstancias que tornam mais dolorosa a sua morte, é não ter ele podido ver, como filho extremoso que era, o coroamento de seus esforços nessa obra a que se dedicara de corpo e alma para salvar os haveres da família e assegurar o bem estar e abastança de sua mãe e irmãos. A sua viagem de agora, na qual tombou em meio do caminho, ele a fazia no desempenho dos seus deveres para com os interesses industriais da usina que dirigia de modo tão seguro e feliz.
Politicamente a morte de Armindo Paes abre nas nossas fileiras um claro que o fará sempre por nós lembrado e com o qual nunca nos conformaremos.
Dá bem a medida do seu valor a alta graduação que tinha na nossa poderosa agremiação partidária e as elevadas posições que tão moço atingira de intendente do município de Santo Antonio do Rio Abaixo e deputado à Assembleia Legislativa. Além do dotado de apurada perspicácia e extraordinário poder de assimilação, possuía também essas qualidades de caráter que primam sobre as da inteligência, essa vontade firme dos que mandam e sabem se fazer obedecer, e que sagra os que nasceram para condutores dos homens.
Outra tragédia atingindo a família ocorreu em 1906, com o assassinato de seu tio, Totó Paes, então presidente do estado de Mato Grosso.
FONTE: Jornal O Matto-Grosso (Cuiabá), 20 de fevereiro de 1919.
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Miranda antecipa abolição da escravatura
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| Miranda, rua do Carmo, no início do século passado |
O Clube Emancipador Mirandense em sessão solene, realizada em 12 de fevereiro de 1885, declara “completamente livres os escravos da vila de Miranda”. O ato foi reconhecido pela Câmara Municipal que igualmente comemorou o acontecimento, comunicando-o ao juiz de direito, Alcindo Vicente de Magalhães, que então se encontrava em Cuiabá como chefe de polícia da província.
O ato foi registrado na seguinte ata:
Aos doze dias do mês de fevereiro do ano de mil oitocentos e oitenta e cinco, nesta vila de Miranda, em o Paço da Câmara Municipal, às sete horas da noite, presentes os senhores Capitão Luiz Generoso da Silva e Albuquerque, Antonio Xavier Castelo, Luiz da Costa Leite Falcão, Francisco Eugênio Moreira Serra, Horácio de Almeida Castro e João Augusto da Costa Leite, além de numerosos concursos de senhoras e cavalheiros, foi pelo presidente Capitão Luiz Generoso da Silva Albuquerque, aberta a sessão. Achando-se presente o Excelentíssimo Senhor doutor Juiz de Direito da comarca, Eduardo Augusto Nogueira de Camargo, o senhor Presidente, tomando a palavra, propôs que fosse o mesmo convidado, na qualidade de primeira autoridade Jurídica ou seja judiciária e presidente honorário do clube, para residir a sessão nomeando uma comissão composta dos senhores Castelo e Costa Leite para recebê-lo; o que foi feito, o mesmo tomou a presidência dando em seguida a palavra depois de breve alocução congrulatória ao senhor Capitão Silva e Albuquerque, que proferiu um discurso análogo. Tomou a palavra o secretário Costa Leite, que igualmente proferiu um discurso achando-se presente, entre outros hóspedes e estrangeiros, o tenente Carlos Peixoto de Alencar, o Sr. Presidente, em homenagem às ideias do mesmo, ofereceu-lhe a palavra que, sendo aceita, fez-se ouvir em eloquentes frases. Depois do que, e de breves palavras, o senhor presidente que as proferiu convidou as senhoras e cavalheiros presentes para o baile pela mesma comissão preparado, levantando a sessão, na abertura da qual foram declarados completamente livres os escravos da Vila de Miranda, por entre estrepitosas salvas de palmas e estrondosos vivas. E do que para constar lavrei esta ata, Eu, João Augusto da Costa Leite, Secretário do Club. - Miranda, doze de fevereiro de mil oitocentos e oitenta e cinco. - Eduardo Augusto Nogueira de Camargo, Luiz Generoso da Silva Albuquerque, João Augusto da Costa Leite, Antonio Xavier Castelo, Luiz da Costa Leite Falcão, Horácio de Almeida Castro, Francisco Eugênio Moreira Serra.
FONTE: Estêvão de Mendonça, Datas Matogrossenses, Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 90.
FOTO: Album Grafico de Mato Grosso (1914)
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Leverger assume primeiro mandato no governo de Mato Grosso
Acumulando as funções de comandante das Armas, assume a presidência da província de Mato Grosso, em 11 de fevereiro de 1851, em seu primeiro mandato, Augusto Leverger, o barão de Melgaço. A sua nomeação fora uma decisão do ministério do Marquês de Olinda, embora o nomeado fosse francês de nascimento.
Leverger substituiu ao coronel João José da Costa Pimentel e governou até 1° de abril de 1857, data em que passou a administração ao vice-presidente Albano de Souza Osório. Viria a reassumir o governo por diversas vezes, perfazendo um total de "sete anos, oito meses e vinte e quatro dias, ligando o seu nome a importantes melhoramentos e deixando imperecíveis testemunhas de sua competência, zelo e honestidade".
FONTE: Estevão de Mendonça, Datas mato-grossenses, Casa Civil do Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 88.
sábado, 10 de fevereiro de 2018
A morte do general Caetano Albuquerque
Aos 68 anos, falece no Rio de Janeiro, em 10 de fevereiro de 1925, o general Caetano Manuel de Faria e Albuquerque. Cuiabano, presidente do Estado, de 15 de agosto de 1915 a janeiro de 1917, foi protagonista de um dos períodos de maior convulsão na história política de Mato Grosso republicano, resistindo a um pedido de impeachment da oposição na Assembleia Legislativa e desencadeando sangrenta reação armada, que ficou conhecida como Caetanada.
Ao final das escaramuças, o impasse, que resultou em sua renúncia, juntamente com todos os deputados, ensejou o chamado governo de conciliação, encabeçado por dom Aquino Correa.
Sobre seu governo e sua personalidade, generosamente depõe Nilo Póvoas:
Igual ao militar brioso e idealista; igual ao parlamentar insigne e operoso, foi o presidente impoluto e de larga visão. Dotado de altivez indomável e de caráter independente, tentou Caetano de Albuquerque implantar na governança do seu Estado uma política administrativa baseada nos salutares princípios de uma democracia sadia, de respeito a todos os direitos. Seria um governo ideal, que satisfazia aos anseios da oposição e. em geral, do povo matogrossense, já cansado dos processos abastardados que de há muito vinham infelicitando o Estado de Mato Grosso.
FONTE: Nilo Póvoas, Galeria dos varões ilustres de Mato Grosso, Governo do Estado, Cuiabá, 1978, página 33.
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