quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Mineração mecânica em Cuiabá







Dom João VI decreta em 16 de janeiro de 1816, a criação de uma companhia para exploração de ferro em Cuiabá:

S.M. El Rey N.S. querendo promover a extração dos metais e minerais preciosos e favorecer ao mesmo tempo e animar a indústria de seus fieis vassalos, neste ramo tão importante da riqueza do Reino do Brasil, foi servido, por carta Régia escrita ao governador e capitão-geral de Mato Grosso, em data de 16 de janeiro passado, aprovar o estabelecimento da companhia de mineração do Cuiabá, e lhe deu estatutos para a sua regulação. Ordenou igualmente que se insinuasse à dita companhia o mandar à sua custa, logo que as suas forças lhe permitissem, pessoas capazes às reais fábricas de ferro das capitanias de S.Paulo e Minas Gerais para aprenderem a arte de fundir o ferro a fim de introduzir-se também no Cuiabá este fabrico, quanto fosse possível e recomendou toda a diligência em perscrutar naquele distrito se existem ali minas de sal.

A companhia estabeleceu-se por 30 anos, findo os quais pode ser dissolvida ou arranjada de novo. As ações consistem em 100.000 reis em moeda e em dois escravos vestidos e preparados de ferramentas, e estes devem ser propriedade dos acionistas e não alugados. As ações recebem-se até haver o fundo necessário para o encanamento das águas, que puderem cobrir os tabuleiros das vizinhanças da vila do Cuiabá, mas logo que a obra se principiar não poderão entrar mais sócios. A julgar-se conveniente para o futuro aumentar os fundos até o limite prescrito de 1.800 escravos dos sócios atuais ou de outros novos, pagando estes últimos o prêmio que se arbitrar pelos trabalhos já feitos. O governador e capitão-geral será o inspetor da companhia e o juiz-de-fora do Cuiabá servirá de conservador. A companhia terá um Conselho composto de 12 acionistas, dentre os que tiverem maior número de ações, que residirem ali mesmo e sobre quem recair a escolha do governador e capitão-general. Quatro membros deste conselho, dos mais hábeis, serão nomeados diretores e servirão por tempo de três anos, com responsabilidade ao Conselho pela sua administração. O Conselho há de convocar-se no fim de cada um ano para examinar os livros e contas, assim como também para repartir os lucros quando os houver, e esta divisão será assinada pelo Conselho e pelos diretores, sendo livre a cada um dos interessados o examinar as contas dos lucros na presença dos diretores, que para isso facilitarão os livros. Uma sexta parte dos lucros se guardará em caixa separada para as despesas extraordinárias que o Conselho resolver. As ações não serão alienáveis senão por vontade de seus donos em venda pública, na qual serão preferidos os sócios em igualdade de preço. Não se admitem repartições ou denúncias nos terrenos concedidos à Companhia. Os acionistas terão de mais certos privilégios e isenções declaradas nos estatutos.

Outra iniciativa do governo em explorar a mineração mecânica em Cuiabá, deu-se já na República, em 1903. Uma empresa, formada de capital estrangeiro, conseguiu concessão para instalar-se no rio Coxipó. O projeto não ofereceu os resultados esperados. A empresa faliu. Veja como foi a experiência. Clique aqui.

FONTE: Correio Braziliense (Londres) edição nº 18, janeiro de 1817.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

A morte do Barão de Melgaço


 




Morre em Cuiabá, em 14 de janeiro de 1880, Augusto Leverger, o barão de Melgaço. Nascido na França em 1804, Leverger chegou a Mato Grosso, como capitão-tenente em 1830, para transformar-se numa das figuras de maior relevo na história do Estado, por sua projeção política durante o império. 

Marinheiro aos 16 anos de idade, em 1820 embarcou na escuna francesa Angélica, na condição de segundo comandante, com destino ao Uruguai, onde dedicou-se ao estudo do estuário Prata. Em Cuiabá organizou o departamento do Trem Naval, embrião do arsenal da Marinha. Em 1814 foi nomeado pelo governo imperial português consul-geral do Brasil na república do Paraguai. Em 1842 é promovido a capitão de fragata e em 1852 a capitão de mar e guerra. Em 1857encerra voluntariamente sua carreira militar.

Na política, sem nunca haver disputado nenhum cargo, foi várias vezes distinguido com a tarefa de governar Mato Grosso:


Na suprema direção da província, adotara como norma de conduta a mais severa economia e inteira distribuição da justiça, não distinguindo correligionários e fazendo-se respeitado no conceito unânime dos adversários. Embora filiado ao partido conservador, exerceu também a presidência em situação liberal, tanta e tão justificada era a confiança que inspirava a todos.


Comandante de armas e presidente da província por várias vezes, Melgaço está no rol dos vultos mais homenageados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso há duas cidades com seu nome, Barão de Melgaço e Santo Antônio de Leverger. Em Mato Grosso do Sul, há uma rua com seu nome em praticamente todas as cidades, emancipadas antes da divisão. Nioaque, por vários anos depois da guerra do Paraguai, chegou a ser chamada oficialmente de Levergeria, em sua homenagem.

FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, (2a. edição) Governo de Mato Grosso, Cuiabá, 1973, página 40

domingo, 13 de janeiro de 2019

Cuiabá prepara defesa






O brigadeiro Alexandre Manoel Albino de Carvalho, presidente da província, em 13 de janeiro de 1865, manda guarnecer a colina de Melgaço, à margem esquerda do rio Cuiabá, a jusante do porto desta capital cerca de 25 léguas. O comando da guarnição coube ao tenente-coronel Hermenegildo de Porto Carreiro, ex-comandante de Forte Coimbra, que ao deixar o porto de Cuiabá, proferiu as seguintes palavras de incitamento às tropas:

Soldados da expedição! O presidente vos acena o futuro e vos mostra uma página dourada, para nela ser registrada a vossa dedicação. A Pátria exige de vós, que deixeis tudo quanto tendes de mais caro sobre a terra, mas que não desampareis o que é mais caro que tudo - vossa mãe, vossa pátria.

Essa página dourada de que vos falei terá a inscrição seguinte: "A força expedicionária ao sul da cidade de Cuiabá salvou a Pátria", mostrando-se disposta a opor-se ao mundo, se o mundo se opuser à sua glória, entoando com o entusiasmo dos bravos.

Viva o Imperador!

Viva, e sempre viva, a integridade do Império!

Viva a Pátria!

Viva o sábio administrador da província de Mato Grosso!

"Apesar do entusiasmo que essas palavras produziram - constata Estevão de Mendonça - mal havia a força expedicionária iniciado em Melgaço o abarracamento e as primeiras medidas de defesa, quando à passagem do vapor de guerra Corumbá, que havia pouco antes descido, chegou a notícia de que os navios paraguaios já cruzavam o rio Cuiabá, abaixo da boca inferior do Piraí". 


FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, (2a. edição) Governo de Mato Grosso, Cuiabá. Página 38.
FOTO: Cuiabá antiga. Reprodução meramente ilustrativa.

sábado, 12 de janeiro de 2019

Chega o primeiro governador de Mato Grosso





Pela rota das águas (Tietê, Paraná, Pardo, Coxim, Taquari, Paraguai, São Lourenço e Cuiabá), chega a Cuiabá, em 12 de janeiro de 1751, Dom Antonio Rolim de Moura Tavares, primeiro governador e capitão-geral da recém criada capitania de Mato Grosso. Com ele vieram o juiz de fora dr. Teotônio da Silva Gusmão, jesuítas Agostinho Laurenço e Estevão de Castro, uma companhia de dragões com 45 praças, secretário Bartolomeu Descalça e Barros e ajudantes de ordem.

Na carta instrutiva que trazia de Lisboa, destacam-se os seguintes pontos:

1° - Que se ponha a cabeça do governo no distrito de Mato Grosso, onde deverá fazer residência mais continuada, indo contudo a Cuiabá e às outras minas, quando assim o pedir o bem do serviço e utilidade dos moradores.

2º - Referem-se à criação de uma companhia de Dragões e à ereção do juiz de fora, bem como aos privilégios que deveriam ser concedidos para promover o povoamento da capital.

3º - Recomenda a escolha do lugar em que deveria fundar a Capital, atendendo que seja defensável e, quanto possível, vizinho do rio Guaporé, ou de algum outro navegável, que nele deságue.

7º - Autoriza a construção de uma nova casa para residência dos governadores.






FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, (2a. edição), Governo de Mato Grosso, 1973, página 37.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Intervenção federal






Com o fim da Caetanada, como ficou conhecido o movimento armado entre a oposição e o governo do presidente Caetano de Albuquerque, a renúncia deste e de todos os deputados estaduais, o presidente da República, Wenceslau Braz, decreta em 10 de janeiro de 1917, a intervenção no Estado e nomeia interinamente para interventor o bacharel Camilo Soares de Moura Filho (foto). A medida vigoraria até o ano seguinte quando, por consenso de todos os partidos, é eleito como candidato único, o bispo de Cuiabá, dom Aquino Correia para um governo de conciliação.

O decreto de intervenção na íntegra:

O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil:

Considerando que o Poder Executivo no Estado de Mato Grosso deve ser exercido por um cidadão com título de Presidente;

Considerando que em caso de renúncia deste, assumirá o governo o 1°, 2° ou 3° Vice-Presidente, e se os três houverem também renunciado, serão sucessivamente chamados ao Governo do Estado o presidente da Assembleia Legislativa e o Presidente da Câmara Municipal da Capital;

Considerando que se acham vagos não só os lugares de presidente e vices-presidentes do Estado, como também os de deputados à Assembleia Legislativa e de presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, e todos pedirem a intervenção federal;

Considerando que é caso de intervir no Estado o Executivo Federal, afim de por termo à acefalia política e administrativa e eleger novos detendores do Poder Legislativo e do Executivo; 

Considerando que as renúncias do presidente e respectivos substitutos legais se tornaram efetivas exatamente para dar lugar à intervenção federal dos novos presidente, vice-presidentes e deputados;

Considerando que a desordem ainda campeia naquela parte da federação e urge restabelecer ali o império da lei;

Resolve intervir no Estado de Mato Grosso de acordo com o art. 6°, ns. 2 e 3 da Constituição da República, nomeando para representá-lo nesse ato de exercício da autoridade federal o bacharel Camilo Soares de Moura Filho, que prorrogará o orçamento da receita e da despesa vigente em 1916, terá vencimento mensal de três contos de réis, pagos pelos cofres estaduais, e observará as instruções expedidas em meu nome, pelo ministro da Justiça e Negócios Interiores. Rio de Janeiro, 10 de janeiro de mil novecentos e dezessete, nonagésimo cesto a Independência e vigésimo nono da República - Wenceslau Braz P. Gomes. - Carlos Maximiliano Pereira dos Santos.²  

 
FONTE: ¹Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, (2a. edição), edição do autor, Cuiabá, 1973, página 34. ²Rubens de Mendonça, História do Poder Legislativo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Cuiabá, 1967, página 110

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mato Grosso declara guerra




Coimbra, palco da primeira batalha da guerra do Paraguai


O brigadeiro Alexandre Manoel Albino de Carvalho, que governava a província de Mato Grosso quando estourou a guerra do Paraguai, em 9 de janeiro de 1865, dirige ao povo a seguinte proclamação:

Matogrossenses! A injustificável ameaça do Governo da República do Paraguai, feita ao Império em sua nota 30 de agosto do ano passado, está consumada. Em 27 de dezembro findo uma expedição paraguaia, composta de numerosos navios a vapor e a vela com cerca de 5000 homens, acometeu o forte de Nova Coimbra e intimou ao comandante tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carreiro a sua entrega dentro do prazo de uma hora, ficando em tal caso a guarnição sujeita à sorte das armas.

Contra tão desleal agressão protestaram energicamente as guarnições do forte de Nova Coimbra e do vapor Anhambaí, seu auxiliar, composta de menos de 200 homens.
Esse protesto ficará na história, escrito pelas armas imperiais, tintas de sangue de centenas de agressores, sangue dos que foram mortos e mutilados, durante dois dias de renhido combate.

Foi um protesto solene e glorioso!

Mato-grossenses, às armas! E com elas em punho, rivalizai com os valentes soldados da Nova Coimbra e com os intrépidos marinheiros da Anhambaí. Viva o Imperador! Viva a integridade do Império!


FONTE: Jorge Maia, A invasão de Mato Grosso, Biblioteca do Exército Editora, Rio, 1964, página 214.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Rondon é graduado em engenharia e ciências


O alferes Cândido Mariano da Silva Rondon recebe da Escola Militar do Rio de Janeiro em 8 de janeiro de 1890, o título de engenheiro militar e o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais. 55 dias antes, por influência e sob as ordens de seu superior Benjamin Constant, participou da proclamação de República como estafeta do exército.

Órfão de pai (que não chegou a conhecer) e mãe (falecida dois anos e meio depois de seu nascimento) aos sete anos, em 1873, deixou Mimoso e mudou-se para Cuiabá, onde passou a ser criado por seu tio, Manoel Rodrigues da Silva. Iniciou seus estudos no mesmo ano, na escola particular de Mestre Cruz. No ano seguinte matriculou-se na escola pública do professor João Batista de Albuquerque. Completou o curso primário na escola do professor Francisco Ribeiro da Costa, mestre Chico, em 1878.

Em 1881, aos 16 anos, conclui o curso de professor no Liceu Cuiabano e foi nomeado para o cargo. Em 26 de novembro de 1881 sentou praça como soldado raso, sendo destacado para o 3° Regimento de Artilharia a cavalo, no quartel do antigo acampamento Couto Magalhães, em Cuiabá.

Em 31 de dezembro de 1881, iniciou seus estudos na Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Em 1884 começou o seu curso superior na mesma escola militar.


FONTE: Esther de Viveiros, Rondon conta sua vida, Cooperativa Cultural dos Esperantistas, Rio, 1969, páginas 25 e 43.

Força brasileira deixa Uberaba

4 de setembro de 1865 Para dar combate ao Paraguai, cujas forças em dezembro de 1864 invadiram o Sul de Mato Grosso, paulistas e min...