sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Morre o quinto governador de Mato Grosso




Falece em Vila Bela em 29 de fevereiro de 1798, o quinto governador e capitão-general da capitania de Mato Grosso, João de Albuquerque Pereira e Cáceres, irmão e sucessor de Luiz Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

Nomeado por carta régia de 17 de outubro de 1788, assumiu a administração a 20 de novembro do ano seguinte. Muito moço para um cargo de tanta responsabilidade, a nomeação de João de Albuquerque originou-se principalmente do fato seguinte:

Tendo Luiz de Albuquerque reclamado por vezes a sua substituição e compreendido por fim que o governo da metrópole, se diretamente não lhe negava, também não lhe permitia o regresso, pois a tanto valia a nomeação de substituto e a recomendação expressa para aguardar a vinda deste, o que jamais se efetivava, resolveu ao cabo de dezesseis anos indicar o nome do próprio irmão para o governo da capitania.

Ao regressar para Lisboa, entregava ao seu substituto instruções completas sobre o estado da capitania, traçando-lhe a conduta e a maneira de se orientar no governo.

E tais instruções foram o guia eficaz de João de Albuquerque, que se não possuia a envergadura do irmão, tinha, no entanto, o bom senso deste.

Por motivo de seu falecimento, assumiu o governo da capitania uma junta composta do ouvidor Antonio da Silva Amaral, tenente-coronel Ricardo de Almeida Serra e o vereador Marcelino Rodrigues.

FONTE: Estevâo de Mendonça, Datas Matogrossenses,(2a. edição) Governo de Mato Grosso, Cuiabá, 1973, página 111.

De Lamare assume o governo do Estado




Assume a presidência da província de Mato Grosso em 28 de fevereiro de 1858 o chefe de divisão Joaquim Raimundo de Lamare, nomeado por carta imperial de 5 de setembro do ano anterior. Sobre ele e sua passagem pelo governo de Mato Grosso depõe o historiador:

Oficial de marinha distinto, com muita fé de ofício que vinha abrilhantando desde as lutas da independência, ao lado de Lord Cockrane a bordo da nau Pedro I, que comandava, ocupou depois posição de destaque no país, tendo sido o ministro da Marinha no gabinete Marques de Olinda, em 1852.

Em Mato Grosso governou com tino e moderação, conseguindo amortecer as rivalidades oriundas do espírito partidário. Promoveu o povoamento de Albuquerque, hoje Corumbá, mandando dividir e demarcar a área destinada à cidade e fazendo edificar ali os primeiros edifícios públicos. Em homenagem à sua memória, a respectiva câmara municipal deu o nome de - Rua de Lamare - à principal artéria da cidade.

Governou até 13 de outubro de 1859 data em que passou a administração ao tenente-coronel Antonio Pedro de Alencastro, e por falecimento do visconde do Rio Branco é escolhido para substituir no Senado aquele estadista, com representante de Mato Grosso.

FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, 2a. edição, Casa Civil de Mato Grosso, Cuiabá, 1973, página 110.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Fundada sociedade abolicionista em Cuiabá









Com a denominação de Galdino Pimentel, é fundada em Cuiabá, em 20 de fevereiro de 1886, entidade destinada a lutar pela abolição da escravatura. A primeira diretoria da sociedade ficou assim constituída: presidente - advogado Antonio de Paula Correa; vice-presidente - Henrique Augusto de Santana; 1° secretário - Vital Batista de Araújo; 2° secretário - capitão Miranda de Carvalho; e tesoureiro -Francisco Correa da Costa Sobrinho.

A ideia da entidade surgiu de uma comissão composta do capitão Antonio Raimundo Miranda de Carvalho, 1° tenente Carlos Augusto Peixoto de Alencar e o advogado Francisco Agostinho Ribeiro.

A denominação deu-se em homenagem ao presidente da província à época, Joaquim Galdino Pimentel.

FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, Casa Civil do Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 100. 

FOTO: Igreja do Rosário e São Benedito, em Cuiabá.

Morre o ex-prefeito Vicente Vuolo







Aos 72 anos, falece em Brasília, em 20 de maio de 2001, o advogado Vicente Emílio Vuolo, filho do italiano Francesco Palmieri Vuolo e de Adalgisa Rosa Vuolo.

Bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1956.

Em 1957, tornou-se chefe de polícia do governador João Ponce de Arruda (1956-1961). Primeiro promotor de justiça em Cuiabá, ocupou também a Procuradoria da República no estado e a Procuradoria Regional Eleitoral, além de membro do Conselho Penitenciário de Mato Grosso. Nas eleições de outubro do ano seguinte, elegeu-se deputado à Assembleia Legislativa do seu estado na legenda do Partido Social Democrático (PSD), assumindo o mandato em fevereiro de 1959. Foi vice-líder do PSD entre 1959 e 1961, prefeito de Cuiabá de 1962 a 1966 e consultor jurídico do estado. Com a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional nº. 2 (27/10/1965) e a posterior instauração do bipartidarismo, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena). Nessa legenda, foi mais uma vez eleito no pleito de novembro de 1970, exercendo a vice-presidência da mesa da Assembleia entre 1973 e 1974. Ainda nessa legislatura, foi presidente da comissão especial pró-solução do problema energético da região norte e leste mato-grossense.

Em novembro de 1974, foi eleito deputado federal pelo estado de Mato Grosso na legenda da Arena, assumindo o mandato em fevereiro de 1975. Nesse mesmo ano, passou a integrar a Comissão de Trabalho e Legislação Social e, como suplente, a Comissão de Transportes da Câmara. Em 1975, apresentou um projeto que previa a inclusão da construção de uma ferrovia interligando São Paulo-Rubinéia (SP)-Aparecida do Taboado (MS)-Rondonópolis (MT)-Cuiabá (MT) no Plano Nacional de Viação. No ano seguinte, o projeto foi sancionado pelo então presidente da República, Ernesto Geisel.

Nas eleições de novembro de 1978, foi eleito senador, assumindo o mandato em fevereiro do ano seguinte, após ter deixado em janeiro a Câmara Federal. Foi presidente e vice-presidente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas e membro da Comissão de Justiça. Durante o mandato de senador, continuou na batalha pela ferrovia e conseguiu um convênio entre a União e o estado de São Paulo, onde cada um participaria com 50% dos recursos para a construção de uma ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná, em São Paulo, principal obstáculo para o desenvolvimento do projeto.

Com a extinção do bipartidarismo em novembro de 1979 e a conseqüente reformulação partidária, filiou-se ao partido governista, o Partido Democrático Social (PDS).

Nas eleições de novembro de 1982, concorreu a uma cadeira no Senado Federal, na sublegenda do PDS, sendo derrotado no pleito por Roberto Campos, do mesmo partido. Em fevereiro de 1984, ao formalizar sua adesão ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), afirmou que foi traído pelo PDS, ao preterir seu nome como candidato ao Senado, dando apoio e colocando a máquina do Estado a serviço do ex-embaixador Roberto Campos.

Em 1986, chegou a anunciar e lançar sua candidatura pelo PMDB ao Senado. No entanto, renunciou à candidatura em outubro alegando motivos de saúde. Ao comunicar essa decisão, Vuolo reiterou total apoio ao candidato do partido ao governo estadual, Carlos Bezerra. Paralelamente, circularam informações de que Vuolo estaria ressentido com o partido por não ter conseguido incluir o nome de um dos seus filhos na lista de candidatos proporcionais aprovados pela convenção.

Afastado dos cargos eletivos, mas permanecendo na luta pela construção da ferrovia, em 1988 Vicente Vuolo participou de um simpósio onde conseguiu convencer o chamado “rei da soja”, Olacir de Morais, a desistir da construção de uma ponte na localidade de Colômbia (SP), na divisa de São Paulo com Minas Gerais, para lutarem pelo projeto originariamente apresentado por Vuolo e pela utilização de tecnologia italiana. Ainda nesse período, Orestes Quércia, governador do estado de São Paulo, lançou a pedra fundamental da construção da ponte. No ano seguinte, o então presidente José Sarney assinou o contrato de concessão da Ferronorte, de propriedade do grupo Itamarati sob o comando de Olacir de Morais, que objetivava a construção de uma ferrovia no Centro-Oeste brasileiro.

Em 1995, com o início do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, as obras da construção da ponte pararam em função do veto do então ministro do Planejamento, José Serra, à verba orçamentária destinada à conclusão da obra. Ainda nesse ano, Vuolo organizou várias manifestações pelo asfaltamento da rodovia MT-100, que cumpria o papel de ligação com a ponte rodoferroviária.

Nesse ínterim, Vuolo organizou várias manifestações pela retomada das obras, além de lançar um manifesto, em 1997, lido na íntegra pelo então deputado federal matogrossense Gilnei Viana, na Câmara dos Deputados, que pedia o fim da quebra de contrato por parte do governo federal. Posteriormente, os recursos para a conclusão da obra foram liberados pelo governo de Fernando Henrique Cardoso, através do programa Brasil em Ação, que reunia as previsões orçamentárias do governo federal. Nesse mesmo ano, liderou um protesto pela pavimentação da rodovia MS-306, que, juntamente com a obra na MT-100, proporcionaria um novo acesso a São Paulo e a integração nacional.

Ainda em 1997, foi aprovado pela Assembléia Legislativa de Mato Grosso o projeto de autoria do deputado Wilson Santos, que deu o nome de Senador Vuolo ao trecho da ferrovia que corta o estado do Mato Grosso e sob a autoria do deputado sul-matogrossense também deu seu nome aos trechos de Aparecida do Taboado-Inocência-Chapadão do Sul-Costa Rica, todos no Mato Grosso do Sul. Em virtude de sua dedicação à causa da ferrovia, recebeu diversas homenagens, entre elas a medalha de Mérito Ferroviário, concedida pela Rede Ferroviária Nacional, e o título de senador honorário do Oeste Paulista, da Associação dos Municípios do Oeste Paulista.

Era casado com Leide da Costa Vuolo, com quem teve três filhos.



FONTE: Cristiane Jalles, Vicente Emilio Vuolo, FGV CPDOC, (http://www.fgv.br/Cpdoc/Acervo/dicionarios/verbete-biografico/vicente-emilio-vuolo)



quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Totó Paes elege-se governador








Em eleição, onde a oposição, liderada pelo senador Generoso Ponce, ausentou-se por força de violenta repressão oficial, são eleitos em 19 de fevereiro de 1903, Antônio Paes de Barros, Totó Paes, presidente; Pedro Osório, 1o vice-presidente; Antônio Leite de Figueiredo, 2o vice-presidente; e João Batista de Almeida Filho.¹ Para a Assembleia Legislativa foram eleitos José Alves Ribeiro (cel. Jejé), Antonio Gaudie Ley, Amarílio Alves de Almeida,  Antonio Pinto Botelho, Francisco Pinto de Oliveira, Francisco Vieira d'Almeida, Antonio Leite de Figueiredo, Antonio de Souza Albuquerque, Pedro Leite Osório, Pedro Antonio Manoel Bicudo, Felicíssimo José da Silva, Manoel Alves Ribeiro, Pedro Torquato Leite da Rocha, João Antonio Nunes da Cunha, Severo José da Costa e Silva, José Teodoro de Paula, Francisco Mariani Wanderley, Felipe de Brum, Manoel Joaquim dos Santos, Candido Teixeira Cardoso e Pio Rufino.

A mesma eleição reelegeu Joaquim Murtinho para o Senado e os deputados federais Benedito de Souza, Lindolfo Serra, coronel Aquino e Antonio Neto.

O mandato de Totó Paes foi abruptamente interrompido em 6 de julho de 1906, em consequência de movimento armado, liderado por seu inimigo Generoso Ponce.



FONTES: ¹Estevão de Mendonça, Datas matogrossenses, (2a. edição) Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 98. ²Rubens de Mendonça, História do Poder Legislativo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa, Cuiabá, 1967, página 82.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Termina o primeiro governo de Mato Grosso




Quase 14 anos depois de assumir o governo da capitania de Mato Grosso, deixa Vila Bela e a administração, em 15 de fevereiro de 1775, o capitão-general d. Antonio Rolim de Moura Tavares, conde de Azambuja, o primeiro governador da nova unidade territorial, desmembrada de São Paulo em 1748. Sua principal obra foi a criação e implantação da primeira capital, Vila Bela da Santíssima Trindade, às margens do rio Guaporé, em pleno Mato Grosso amazônico, inaugurada em 19 de março de 1752.

"Contemporaneamente - constata Virgílio Correa Filho - achava-se Rolim de Moura mais empenhado em organizar eficaz resistência contra possível invasão do que por em ordem a escrituração de rendas minguadas".

Ocupado em garantir o território brasileiro que já ultrapassava os limites convencionais, pactuados com os espanhóis, estabelecidos à margem esquerda do rio Guaporé, onde o governo português, em sua política expansionista ocupava o reduto de Santa Rosa, tomado aos jesuítas espanhóis, Rolim de Moura dedicou praticamente todo o tempo de seu governo na tarefa bem sucedida de rechaçar o inimigo.

Foi substituído no governo por seu sobrinho João Pedro da Câmara. Ele, que chegou ao Mato Grosso pela rota das monções, ou seja Porto Feliz (SP), rio Paraná, rio Pardo, Camapuã, rios Coxim, Taquari, Paraguai, Cuiabá, apenas passando rapidamente pela vila de Cuiabá, fez o caminho de volta por terra, passando por Goiás. Permaneceu no Brasil, tornando-se Conde de Azambuja e 2º Vice Rei no Rio de Janeiro.

Rolim de Moura dá nome a uma cidade no Estado de Rondônia. 


FONTE: Virgílio Correa Filho, História de Mato Grosso, Instituto Nacional do Livro (MEC), Rio de Janeiro, 1969, página 307.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Leverger assume o governo do Estado




Acumulando as funções de comandante das Armas, assume a presidência da província de Mato Grosso, em 11 de fevereiro de 1851, em seu primeiro mandato, Augusto Leverger, o barão de Melgaço. A sua nomeação fora uma decisão do ministério do Marquês de Olinda, embora o nomeado fosse francês de nascimento. 

"A posse de Leverger - segundo Estevão de Mendonça - foi revestida da solenidades, principalmente pela presença de muitas senhoras, o que estava fora dos hábitos de então e a Câmara Municipal se fez representar pela quase totalidade dos seus membros. Dois únicos vereadores deixaram de comparecer, por motivo de moléstia":

Pelas 9 horas da manhã, presentes os vereadores Antonio de Cerqueira Caldas, padre Joaquim Antonio da Silva Rondon, Joaquim Antonio da Costa Guimarães, Teodoro José da Costa Roriz, Antonio Luis Brandão, Rômulo Pinto de Sousa, Luis Moreira Serra e José de Lara Pito, o presidente da câmara declara aberta a sessão e diz que "tendo recebido uma portaria do exmo. sr. Presidente João José da Costa Pimentel, comunicando achar-se exonerado do cargo de presidente desta província e de achar-se nomeado para o dito lugar o exmo. capitão de fragata Augusto Leverger, cuja portaria, datada de ontem, marcava hoje às 10 horas do dia, para esta câmara dar juramento e posse ao dito exmo. sr. Leverger, e sendo lida a portaria o sr. presidente nomeou para membros da comissão que tem de receber o mesmo exmo. sr. os vereadores padre Rondon, Santa Cruz e Roriz e suspendeu a sessão".

Dada a hora, continua a ata da sessão, "compareceram os exmos. srs. capitão de fragata Augusto Leverger, presidente nomeado e coronel João José da Costa Pimentel, presidente exonerado e tomando eles assento, passou o presidente exonerado a ler o relatório do estado da província e do ocorrido durante sua administração, e logo que acabou a leitura dobou-o e entregou-o nas mãos de seu sucessor. Lidas as cartas imperiais de nomeação e exoneração, o presidente da câmara apresentou ao exmo. sr. Augusto Leverger um missal sobre o qual pôs a mão direita e jurou aos Santos Evangelhos bem desempenhar as atribuições que lhe eram confiadas.

Leverger substituiu ao coronel João José da Costa Pimentel e governou até 1° de abril de 1857, data em que passou a administração ao vice-presidente Albano de Souza Osório. Viria a reassumir o governo por diversas vezes, perfazendo um total de "sete anos, oito meses e vinte e quatro dias, ligando o seu nome a importantes melhoramentos e deixando imperecíveis testemunhas de sua competência, zelo e honestidade".

 
FONTEEstevão de Mendonça, Datas mato-grossenses, Casa Civil do Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 88.

Força brasileira deixa Uberaba

4 de setembro de 1865 Para dar combate ao Paraguai, cujas forças em dezembro de 1864 invadiram o Sul de Mato Grosso, paulistas e min...