quinta-feira, 1 de março de 2018

Rondon convidado para chefiar serviço de proteção aos índios








Em carta de 2 de março de 1910, assinada pelo ministro Rodolfo Miranda, de Agricultura, Indústria e Comércio, do governo de Nilo Peçanha, Rondon é oficialmente convidado para a direção do recém-criado Serviço de Proteção aos Índios:

Exmo. Sr. Coronel Cândido Mariano da Silva Rondon:

Visa a presente carta revestir de cunho oficial o convite que, pessoalmente, vos dirigi em nome da causa de nossos silvícolas.

A espontaneidade da escolha de vosso nome para fomentar e dirigir a catequese que o Governo da República deliberou empreender é a consagração formal da conduta humanitária, generosa, que tanto vos recomendou à confiança do indígena, na longa e heróica jornada que realizastes em zonas até então vedadas aos mais audaciosos exploradores.

Quem, denodadamente e com rara abnegação, sacrificou a sua quietude, a calma do lar, a sua própria vida, por bem servir à nação; quem pode fazer do indígena a plenitude do seu domínio no seio das florestas, defendido dos artifícios da civilização pelas asperezas da vida inculta - um amigo, um guia cuidadoso, reúne, sem dúvida, os requisitos de bondade, de altruísmo que devem caracterizar a campanha que há de redimir do abandono os nossos silvícolas e integrá-los na posse de seus direitos.

Não cabe ao Governo insistir em práticas seculares que falharam aos seus ideais, revelando-se, no longo decurso do seu predomínio, baldas de prestígio para deter a corrente da raça varonil que votava à escravidão e ao extermínio. Cumpre-lhe, ao contrário, constituir, em bases novas, a catequese, imprimir-lhe a feição republicana, fora do privilégio de castas, sem preocupação de proselitismo religioso, constituindo serviço especial centralizado na Capital, com irradiação pelos Estados onde se torne necessária a ação que é chamado a exercer, pacientemente e sem intermissão de esforços.

A direção superior desse serviço vos será confiada, se aquiescerdes à consulta que ora vos faço, antes das formalidades oficiais de requisição ao Ministério a quem pertenceis, e tenho bem radicada em meu espírito a confiança de que será satisfeita a aspiração comum, mediante o influxo de vossa cultura científica, de vossa capacidade moral, de vossa fé republicana e da energia de vontade que vos faz o primeiro dentre os exporadores do território brasileiro.

Em carta de 14 de março seguinte ao ministro Rodolfo de Miranda, o coronel Rondon aceita o convite e apresenta uma série de medidas que deveria tomar para cumprir a missão.


FONTE: Esther de Viveiros, Rondon conta sua vida, Cooperativa Cultural dos Esperantistas, Rio, 1968, página 338.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Pedrossian demitido "a bem do serviço público"


Governador eleito pelo PSD, em oposição ao candidato apoiado pela ditadura, Pedro Pedrossian sofre perseguição de seus adversários, inconformados com a derrota e com a sua crescente popularidade. O aro a seguir , de 28 de fevereiro de 1967, desencadeou uma crise política no Estado que quase resultou no impeachment do governador:

O Presidente da República, tendo em vista o que consta do processo secreto SSN, no 470 de 1965, referente à Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, do Ministério da Viação e Obras Públicas, resolve: Demitir, de acordo com o artigo 207, itens I, VI e X da lei no. 1711, de 28 de outubro de 1952, Pedro Pedrossian, matrícula no 17.712, do cargo de engenheiro nível 22 do Quadro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, do Ministério da Viação e Obras Públicas.
Brasília, 28 de fevereiro de 1967, 146 da Independência e 79° da República. aa- H. Castelo Branco, Juarez Távora.


A lei 1711, que fundamentou a demissão do então governador Pedro Pedrossian, era o Estatuto dos Servidores Civis da União, sendo as razões alegadas: crime contra a administração pública, aplicação irregular do dinheiro público, bem como as transgressões previstas no artigo 195, a saber: valer-se do cargo público para lograr proveito pessoal em detrimento da dignidade da função, receber propinas, comissões, presentes e vantagem de qualquer espécie em razão das atribuições, etc.


FONTE: Rubens de Mendonça, História do Poder Legislativo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa, Cuiabá, 1967, página 343.

FOTO: governador Pedrossian com o deputado Walter de Castro.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Pane seca: avião cai entre Cuiabá e Corumbá


Aeronave da empresa Condor cai por falta de combustível no trajeto entre Cuiabá e Corumbá, em 25 de fevereiro de 1934. É o segundo acidente em menos de três meses, conforme noticia o Jornal do Comércio, de Campo Grande: 


FONTE: Jornal do Comércio (Campo Grande), 4 de março de 1934.



quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Exército paraguaio prende frei Mariano

Igreja do frei Mariano no início do século XX, restaurada por fiéis

Frei Mariano de Bagnaia, pároco de Miranda, que, com outros brasileiros de sua paróquia, se refugiara no Pantanal, retorna ao vilarejo em 22 de janeiro de 1865, com a intenção de salvar sua igreja. O ensejo de sua prisão é descrito por Taunay no II capítulo de seu livro Retirada da Laguna:

A 22 de fevereiro de 1865, deixando Frei Mariano as margens do Salobro, onde se refugiara, ao aproximar-se da invasão, viera, de moto próprio, entregar-se aos paraguaios, no intuito de lhes pedir compaixão para com a desventurada paróquia. Ao chegar à vila, fora-lhe o primeiro cuidado correr à matriz, objeto de sua mais viva solicitude. Desolador espetáculo o esperava: altares derribados, as imagens santas despojadas dos adornos, enfim todas as mostras da profanação. Ao presenciá-lo, dele se apoderou tal sentimento de indignação e de desespero, que não pode dominar-se. Imediatamente e em tom retumbante, à frente do chefe paraguaio e seus comandados, pronunciou solene anátema contra os autores de tal atentado. Ouviram-no todos cabisbaixos, como se esta voz severa fosse de algum daqueles Padres que outrora lhes havia catequizado os antepassados, esforçando-se o comandante em convencer o missionário que os únicos culpados eram os Mbaias (Índios).

Lavado em lágrimas, corria o santo homem de altar em altar, como para verificar os ultrajes praticados contra cada um dos objetos de sua veneração. Só após minuciosa constatação de todas as indignidades cometidas se resignou a celebrar o santo sacrifício da missa; e isto depois de tudo haver disposto para que a cerimônia se pudesse realizar.


Preso logo após celebrar a missa e levado para o país vizinho, frei Mariano foi libertado no Paraguai pelo exército brasileiro em 16 de agosto de 1869, quando retornou ao Brasil.


FONTE: Taunay, A Retirada da Laguna, (16ª edição brasileira), Edições Melhoramentos, São Paulo, 1963, página 34.
FOTO: reprodução do Album Gráfico de Mato Grosso (1914).
 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Abolicionistas fundam associação em Cuiabá








Com a denominação de Galdino Pimentel, é fundada em Cuiabá, em 20 de fevereiro de 1886, entidade destinada a lutar pela abolição da escravatura. A primeira diretoria da sociedade ficou assim constituída: presidente - advogado Antonio de Paula Correa; vice-presidente - Henrique Augusto de Santana; 1° secretário - Vital Batista de Araújo; 2° secretário - capitão Miranda de Carvalho; e tesoureiro -Francisco Correa da Costa Sobrinho.

A ideia da entidade surgiu de uma comissão composta do capitão Antonio Raimundo Miranda de Carvalho, 1° tenente Carlos Augusto Peixoto de Alencar e o advogado Francisco Agostinho Ribeiro.

A denominação deu-se em homenagem ao presidente da província à época, Joaquim Galdino Pimentel.


FONTE: Estevão de Mendonça, Datas Matogrossenses, Casa Civil do Governo do Estado, Cuiabá, 1973, página 100. 
FOTO: Igreja do Rosário e São Benedito, em Cuiabá.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Oposição pede impeachment do governador Pedrossian






Por iniciativa do deputado Júlio de Castro Pinto (foto), a mesa da Assembleia Legislativa, em Cuiabá, recebe em 18 de fevereiro de 1967, projeto de resolução decretando o impeachment do governador Pedro Pedrossian:

Artigo 1º. – É reconhecido o impedimento do sr. Pedro Pedrossian para exercer o cargo de Governador do Estado, por força do decreto do presidente da República, de 28 de fevereiro de 1967, que o demitiu do cargo de engenheiro nível 22 do quadro da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, do Ministério de Viação e Obras Públicas, por haver, no exercício da Superintendência dessa ferrovia, praticado as faltas graves enumeradas nos números I, VI e X do artigo 209 dessa lei impõe a cláusula ‘a bem do serviço público’ e por haver reincidido nas mesmas faltas no desempenho do governo estadual.


Artigo 2º. – Seja convocado o vice-governador do Estado, dr. Lenine de Campos Povoas, para assumir o governo em substituição ao titular impedido, cumprindo-se o que determina o § 4º. do artigo 31, combinado com o n. I do artigo 14 da Constituição do Estado, dentro do prazo de 10 dias desta data, sob pena de ser o cargo declarado vago, na forma prevista pelo § 3º do artigo 32 da mesma Constituição.


Artigo 3º. – Ao promulgar a presente Resolução, assume o exercício do governo do Estado o presidente da Assembleia, permanecendo nele até a posse do vice-governador, a quem transferirá o exercício do mandato, dentro do prazo referido no artigo anterior.


Art. 4º. – A presente Resolução obriga desde a sua promulgação, nesta data, revogadas as disposições em contrário.


Sala das sessões da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, em Cuiabá, 18 de fevereiro de 1967. aa) Júlio de Castro Pinto, Ubaldo Barém, Oscar Soares, Nunes Rocha, Celso Amaral, Alexandrino Marques, Nelson Ramos, Augusto Mário, Oliveira Lima, Milton Figueiredo, João de Paula Ribeiro, Reinaldo Moraes, Cleômenes Nunes, Walter de Castro, Américo Nassif, Sebastião Cunha, Valdevino Guimarães.


Em votação ocorrida no dia 19 de agosto o impeachment foi rejeitado.


FONTE: Rubens de Mendonça, História do Poder Legislativo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa, Cuiabá, 1967, página 335.

Força brasileira deixa Uberaba

4 de setembro de 1865 Para dar combate ao Paraguai, cujas forças em dezembro de 1864 invadiram o Sul de Mato Grosso, paulistas e min...